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Araraquara, S√°bado, 07 de Dezembro de 2019

12/12/2015 | 04:15:27

Nova evidÍncia pode influenciar escolha de vacina contra a dengue

 

Karina Toledo | Ag√™ncia FAPESP ‚Äď Um estudo brasileiro divulgadona revista Virology mostrou que a imunidade celular ‚Äď mediada por linf√≥citos do tipo T ‚Äď √© t√£o ou mais importante para o controle da infec√ß√£o pelo v√≠rus da dengue do que a imunidade mediada por anticorpos.
Segundo os autores, essa nova evid√™ncia pode ter impacto no processo de escolha da vacina mais adequada para as pol√≠ticas p√ļblicas de imuniza√ß√£o.

Conforme explicou o pesquisador Luís Carlos de Souza Ferreira, responsável pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas no Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), qualquer tipo de infecção viral estimula em humanos dois tipos de resposta imunológica: a produção de anticorpos específicos para reconhecer estruturas existentes na superfície do vírus e a ativação de linfócitos T citotóxicos (CD4 e, principalmente, CD8), que reconhecem e destroem as células do próprio organismo infectadas pelo patógeno.

A vacina contra a dengue do laboratório Sanofi Pasteur, já disponível, foi elaborada com o vírus da febre amarela modificado. Ela é capaz de induzir a produção de anticorpos contra o vírus da dengue, mas a imunidade celular gerada é contra o vírus vacinal da febre amarela.

‚ÄúA vacina da Sanofi usa o que chamamos de v√≠rus quim√©rico. Foram colocadas em seu envolt√≥rio estruturas do v√≠rus da dengue, mas, no interior, √© o v√≠rus da febre amarela que est√° l√°. A quest√£o √© que os linf√≥citos citot√≥xicos reconhecem preferencialmente prote√≠nas expressas pelo v√≠rus apenas durante a sua multiplica√ß√£o dentro da c√©lula infectada, mas que n√£o est√£o presentes na part√≠cula viral‚ÄĚ, explicou Ferreira.

J√° a vacina do Instituto Butantan, que acaba de receber o aval da Ag√™ncia Nacional de Vigil√Ęncia Sanit√°ria (Anvisa) para entrar na terceira fase de ensaios cl√≠nicos, foi desenvolvida com o v√≠rus da dengue atenuado. Induz, portanto, os dois tipos de resposta imunol√≥gica contra a dengue. (Leia mais em¬†agencia.fapesp.br/21592/).

‚ÄúO Brasil vive hoje um impasse entre adotar a vacina do laborat√≥rio Sanofi Pasteur ou aguardar a conclus√£o dos ensaios cl√≠nicos do imunizante em desenvolvimento no Instituto Butantan. Mas somente a vacina brasileira, desenvolvida em parceria com o Institutos de Sa√ļde dos Estados Unidos, √© capaz de induzir a imunidade celular contra a dengue, que mostramos ser fundamental‚ÄĚ, afirmou Ferreira.

Metodologia

Os experimentos descritos no artigo da revista Virology foram feitos em um modelo animal durante o pós-doutoradode Jaime Henrique Amorim, com apoio da FAPESP e em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da USP.

Inicialmente, os pesquisadores inocularam em camundongos, por via intracraniana, uma cepa do sorotipo 2 do vírus da dengue (DENV2) conhecida como ACS46, capaz de induzir respostas imunológicas sem deixar os animais doentes.

Ap√≥s esse procedimento de ‚Äúimuniza√ß√£o‚ÄĚ, o mesmo grupo de roedores foi desafiado com um isolado mais agressivo do DENV2, conhecida como JHA1, que mesmo em pequenas quantidades √© capaz de matar os animais. No entanto, todos os camundongos sobreviveram gra√ßas √† prote√ß√£o conferida pela exposi√ß√£o pr√©via ao v√≠rus.

‚ÄúEsse m√©todo de inocula√ß√£o intracraniana √© bastante usado por laborat√≥rios de todo o mundo em testes de propaga√ß√£o viral‚ÄĚ, contou Ferreira.

O passo seguinte foi isolar os anticorpos gerados nos animais expostos à cepa não letal do vírus e transferi-los para outro grupo de roedores que nunca haviam tido contato com o DENV2.

‚ÄúFizemos esse procedimento at√© que o n√≠vel de anticorpos no sangue dos animais n√£o expostos ao v√≠rus estivesse equivalente ao do grupo exposto √† cepa ACS46. Em seguida, fizemos o desafio com o isolado agressivo do DENV2 e todos os animais morreram‚ÄĚ, contou Ferreira.

Em um segundo experimento, os pesquisadores destru√≠ram os linf√≥citos T CD4+¬†e T CD8+¬†gerados no grupo de camundongos previamente exposto ao v√≠rus n√£o letal ‚Äď usando para isso anticorpos espec√≠ficos contra essas c√©lulas de defesa. Os animais foram ent√£o desafiados com a cepa agressiva do DENV2 e praticamente todos eles morreram.

‚ÄúEsse resultado nos levou a concluir que, pelo menos nesse modelo experimental, a resposta mediada por linf√≥citos T √© t√£o ou mais importante do que a resposta imune mediada por anticorpos. Isso sugere que a vacina do Instituto Butantan seria mais adequada para proteger a popula√ß√£o‚ÄĚ, afirmou Ferreira.

Prevista para durar cerca de um ano, a terceira etapa de ensaios clínicos da vacina contra a dengue do Instituto Butantan envolverá 17 mil voluntários, distribuídos em três grupos etários: crianças de 2 a 6 anos, crianças e adolescentes de 7 a 17 anos e adultos de 18 a 59 anos. O objetivo é comprovar a eficácia do imunizante em proteger contra os quatro subtipos do vírus. O projeto teve apoio da FAPESP em sua fase inicial.

O artigo Antibodies are not required to a protective immune response against dengue virus elicited in a mouse encephalitis model (doi: 10.1016/j.virol.2015.10.006), pode ser lido em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S004268221500433X . 

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