Declarações feitas durante programa ao vivo provocaram forte reação da Diocese de São Carlos, de vereadores e de ouvintes. Comunicador não recuou e defendeu que sua crítica é direcionada ao sistema religioso, não à fé individual
Fotógrafo: Reprodução EP FM
07/04/2026 - 23h01
Nesta terça-feira (7), o rádio araraquarense foi palco de uma intensa controvérsia protagonizada pelo jornalista José Carlos Magdalena, âncora do programa Jornal da EP (Rádio EP FM 95.7). Conhecido por seu estilo polêmico, o comunicador proferiu duras críticas e utilizou palavras de baixo calão para se referir à Bíblia Sagrada e às religiões, gerando uma onda imediata de repúdio por parte de fiéis, autoridades políticas e lideranças católicas de toda a região.
O que aconteceu no ar
O episódio ocorreu durante a transmissão matutina, em meio a debates que, inicialmente, não tinham viés religioso. Em um momento de exaltação, Magdalena passou a atacar frontalmente as instituições de fé. "A religião é um demônio que infelizmente está no meio social. A religião é demoníaca", disparou o apresentador.
Na sequência, os ataques foram direcionados ao livro sagrado do cristianismo. Magdalena afirmou que "a Bíblia está errada", classificando-a com termos chulos como "uma bosta" e "puta livrinho idiota". Ele argumentou que o texto é fruto de invenções humanas e resumiu o conteúdo da obra como "palhaçada" e "besteira".
Mesmo sendo alertado ao vivo pelo colega de bancada, o comentarista Luís Antônio, de que suas falas poderiam configurar intolerância religiosa, o âncora dobrou a aposta. Ele defendeu que a religião deveria ser banida por causar temor e citou os conflitos históricos no Oriente Médio como exemplo de guerras motivadas por dogmas.
Figuras religiosas de expressão nacional também foram alvo. Magdalena criticou nominalmente o pastor Silas Malafaia, chamando-o de "canalha" e "demoníaco", e defendeu que a relação com o divino dispensa rótulos: "Deus é único. Não tem que ter católico, espírita, evangélico (...). Deus é liberdade".
Repercussão política e nota da Diocese
A gravidade das palavras tomou conta das redes sociais e chegou rapidamente às esferas institucionais da cidade e região:
Câmara Municipal: Vereadores de Araraquara dedicaram parte da sessão legislativa desta terça-feira para condenar veementemente a postura do jornalista no rádio.
Diocese de São Carlos: A instituição, responsável canonicamente por Araraquara, publicou uma dura nota oficial assinada pelo bispo diocesano, Dom Luiz Carlos Dias.
No documento, a Igreja Católica manifesta "profundo pesar e veemente repúdio" e destaca que tratar as religiões e um livro sagrado com tamanho escárnio fere a convivência social e a Constituição Federal (Artigo 5º, inciso VI, que garante a inviolabilidade da liberdade de crença). A nota acusa o comunicador de falta de civilidade e desconhecimento da responsabilidade exigida pela comunicação pública, citando apelos do saudoso Papa Francisco por um jornalismo que dissipe o ódio em vez de fomentá-lo.
A defesa de Magdalena
Diante da enxurrada de críticas, José Carlos Magdalena abriu uma transmissão ao vivo (live) em suas redes sociais para se pronunciar. Fiel ao seu histórico, o jornalista não pediu desculpas e reafirmou suas posições, fazendo questão de blindar a Rádio EP e o Grupo EP, ressaltando que as opiniões são estritamente pessoais.
Na tentativa de explicar sua linha de raciocínio, Magdalena tentou separar a espiritualidade das instituições. "Eu não critico e jamais vou criticar a fé alheia", declarou. Segundo ele, seu alvo é a função sistêmica das religiões, as quais classificou como "verdadeiros anestésicos que consolam oprimidos aliviando a dor da miséria".
Sobre a possibilidade de voltar atrás em suas declarações, o âncora foi categórico: "Só quando alguém me convencer do contrário… ninguém vai mudá-la sem o convencimento". A justificativa, no entanto, não aplacou os ânimos de boa parte do público, que continua considerando os termos utilizados ao vivo uma ofensa direta e gratuita à fé de milhões de brasileiros.